Carnaval e seus preconceitos

Fabiana Farias, Naiara Diniz, Stefanie Christine, Thamires de Oliveira e Vitória Aparecida

Passou-se o carnaval , mas a folia continua

Muito antes dos sambas-enredos e os trios elétricos baianos  tornarem-se as estrelas dessa festa, as marchinhas já foram alegria dos  foliões. Elas surgiram  no século XIX  e   são apreciadas até hoje em diversas cidades do interior, principalmente de São Paulo.

carnaval

fonte:UFSCar

Vejam alguns exemplos de marchinhas que de certo modo demonstram  homofobia e  preconceito contra o sexo feminino.Embora, elas tragam alegria e entretenimento, não podemos deixar de destacar que algumas delas fazem  apologia ao preconceito, e na maioria das vezes a população canta sem saber interpretar a letra e a mensagem depreciativa de muitas delas.

  • Cabeleira do Zezé

“Olha a cabeleira do Zezé / será que ele é? / será que ele é? / será que ele é bossa nova? / será que ele é Maomé? / parece que é transviado / mas isso eu não sei se ele é / corta o cabelo dele! / corta o cabelo dele! ”

Nota-se que havia um claro preconceito aos homossexuais e aos homens cabeludos.

  • Maria Sapatão

“Maria Sapatão, Sapatão, Sapatão / de dia é Maria, de noite é João”

Nos quatro cantos do mundo, a homossexualidade sempre foi motivo de piada, dano ou morte e esta marchinha traz em tom de brincadeira preconceitos contra a escolha sexual.

Também não tão diferente,  encontra-se a música  sertaneja.

“Mulher casada que fica sozinha é andorinha, é andorinha”; “Mulher nasceu pra sofrer”. “Deus pesou a mão quando fez a mulher”. Comentários assim são corriqueiros e retratam a dura realidade das mulheres num país predominantemente conservador e machista.

No canal do Youtube, em agosto do ano passado,  o lançamento da música do cantor sertanejo universitário Felipe Araújo, causou um reboliço nas redes sociais com mais de 66milhões de visualizações. A letra da música conta a história da briga de um casal, porque a mulher não corresponde as necessidades sexuais do  companheiro que arruma as malas e finge ir embora para que ela mude de atitude.

Vejam a letra da música:

É, agora tá com tempo pra me escutar

Agora diz que ama e que vai mudar

Eu sei que a cena é forte, vai doer agora

mala falsa

Fonte: Letras.com

Arrumei minha mala, tô caindo fora

Você não percebeu, mas esfriou

Caiu na rotina, você descuidou

Eu só queria um pouco de carinho

Fica tranquila amor eu tô fingindo

A mala é falsa, amor

Engole o choro, embora eu não vou

Agora vê se aprende a dar valor

Mata minha sede de fazer amor

 

É bom ficarmos de ouvidos atentos e não nos deixar ser levados simplesmente pela música, vamos prestar mais atenção nas letras e não compactuar com essas ideias machistas e preconceituosas.

Carnaval o ano inteiro: Análise dos Sambas-Enredos Parte 1

Arthur Monteiro da Silva Cardoso

Paraíso do Tuiuti – Carnavaleidoscópio Tropifágico

paraiso

Remetendo à colonização de nosso Brasil, a escola traz um bom enredo, para garanti-la  no grupo especial, trazendo a falta de identidade brasileira, fazendo uma ligação histórica, pela ditadura até chegar aos dias atuais, como está em sua sinopse: “Não somos recatados e do lar”

Ela chega mostrando nossas belezas brasileiras e dizendo que foi aqui que o mundo conheceu a alegria, dizem eles que nos catequizaram e eu vos digo que nós carnavalizamos o mundo com nossa multiculturalidade. O Brasil tropical, um pais que nasceu a partir de alegria e festa, do verde da mata, do colorido dos frutos e das flores, que nunca poderá perder essa sua identidade, que é a alegria.

Avançando no tempo, ela nos leva a época da ditadura, onde éramos privados de nossa cultura e que muitos artistas se destacaram com músicas que acenderam o povão e trouxeram a felicidade de volta ao Brasil. Gilberto Gil e Caetano Veloso serão homenageados, com um carro que estampará seus rostos abrindo a época de ouro de nosso país que irá trazer Chacrinha como tema em um dos blocos.

Por mais que ela não venha forte, o desfile irá decidir, um enredo gostoso com muitos jogos de palavras que podem confundir em primeiro momento, mas que refletem a alegria verde e amarelo de nossa pátria.

     Jurado 1       Jurado 2       Jurado 3       Jurado 4        Arthur
9,7 9,9 9,9 9,7 9,9

Grande Rio – Ivete do rio ao Rio

logo_grande_rio_carnaval_2017

A Grande Rio traz uma bela homenagem a Rainha do Brasil, Ivete. Um enredo delicioso, que remete a sua infância em Juazeiro até seu sucesso internacional com sua maravilhosa voz.

Traz a lenda que seus pais lhe contavam, da serpente encanta (OLHOS DE FOGO DA SERPENTE ENCANTADA), as festas de São João, em que dançava quadrilha. Sua família também não escapa da homenagem, falando sobre os violões que seu pai trouxe de sua origem espanhola.

Seu sucesso acontece e suas músicas se entrelaçam no enredo (Gente de fé; levanta poeira; povo do gueto; etc), e seu início não poderia ser descartado, citando seu ingresso na EVA “COM A EVA ENCANTEI TODA CIDADE”.

A internaciolização de Ivete, rainha do mundo, que foi abraçada pelo povo de Caxias,  lotou e fez a cozinha da escola colocar água na feijoada, de tanta gente que foi à sua apresentação na quadra da invocada.

Um enredo que encantou a todos, um dos melhores desse ano.

Jurado 1 Jurado 2 Jurado 3 Jurado 4 Arthur
10 10 10 9,8 10

Imperatriz Leopoldinense – Xingu, o clamor vem da floresta

imperatriz_ccxczcx2017

A Imperatriz fez um dos enredos que pessoalmente não me agradou, muito falado, com pouca melodia, um refrão fraco, porém um enredo rico.

Decidiram falar sobre os índios, eles vivem na liberdade, não foram infectados pelo ódio mundano, e assim, vivem em harmonia com a natureza.

Eles abordaram uma bela crítica social, a de que os índios são exemplos de humanidade, enquanto essa sociedade atual precisa de leis, precisa de alguém falando o que pode e o que não pode e suas consequências, os índios vivem na liberdade, sem leis limitadoras e assim não formam o caos que nós formamos.

O índio está perdendo seu espaço, e isso fica claro no trecho “O índio luta pela sua Terra… Minha cor é vermelha dor”, eles pararam no tempo, os arcos que seus antepassados utilizavam é o mesmo que utilizam hoje em dia, porém não é ruim, eles não evoluíram,  pois chegaram no limite da harmonia com a natureza, enquanto nós ultrapassamos esse equilíbrio e criamos o caos.

Embora sua sinopse seja forte e rica, o enredo ficou fraca e sinceramente não expressa a grandeza que é este tema.

Jurado 1 Jurado 2 Jurado 3 Jurado 4  Arthur
10 9,8 10 9,9 9,8

Vila Isabel – O som da cor

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O som da cor, as Vila traz a influência da música na América, citando vários ritmos musicais, como soul, jazz, tango, reagge, etc.

A dança e a música se completam, a Vila nos mostra isso com grande propriedade, o amor da dança à dois, o par se formando um só. O batuque brasileiro, o soul a mais perfeita forma de expressar.

 

Um enredo muito gostoso de ouvir, porém, pobre, o tema é muito fraco.

Jurado 1 Jurado 2 Jurado 3 Jurado 4  Arthur
9,8 10 10 10 9,8

Essa foi a primeira parte da série da analise dos sambas-enredos de 2017